terça-feira, 20 de abril de 2010

primeiro de maio

Estava calor. O sol batia-me na cara e impedia-me de ver com a máxima nitidez o meu irmão que brincava sozinho com a bola azul, que eu lhe ofereci no natal. Sentados sobre um lençol cor de manteiga, os meus pais falavam com os meus tios, sobre coisas que pouco interesse despertavam em mim. Eu estava sentado, encostado a um tronco. Um velho e grosso tronco, que suportava uma nuvem verde de algodão salpicada de branco. Desconheço o nome da espécie, mas o seu cheiro transmitia-me calma e frescura. O meu irmão continuava a correr atrás da bola. Divertia-se a encontrá-la, uma vez que a perdia constantemente no meio das ervas que lhe chegavam à cintura.
(…) O sol estava a ficar fraco e proporcionava um ambiente de verão, com cores claras e que me davam vontade de ali ficar a pensar, deitado no chão, mas o dia estava a chegar ao fim e fui ajudá-los a arrumar as coisas. Peguei nas minhas coisas e dirigi-me ao carro. Inseri a chave na ranhura e abri a porta da frente. Liguei o rádio e sentei-me para limpar as minhas sapatilhas, que estavam cobertas de terra, dos jogos que tinha feito com o meu irmão. Ao bater com a sapatilha no chão, reparei numa folha azul que se encontrava à minha frente. Estava amachucada mas limpa; levando-me a pegar nela só mesmo pela cor. Guardei-a no bolso e continuei a limpar os ténis. Nesse momento uma das minhas baladas preferidas invadiu os meus ouvidos, que estavam cansados do silêncio do bosque. Fechei a porta e encostei-me ao banco. Acabei por adormecer…

Naquela altura estava eu longe de saber que de dentro daquela folha, sairiam os melhores momentos da minha vida.

1 comentário:

  1. só pelo teu comentário, já ganhei o dia.
    não tenho palavras para descrever o quão agradecido posso estar (: muitíssimo obrigado.

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